A BroadChain apurou que, conforme reportado pela CoinDesk em 16 de março, os ganhos recentes do Bitcoin (BTC) e do Ethereum (ETH) superaram os do ouro e dos mercados acionários globais. Esse desempenho destaca a busca por ativos de refúgio diante das atuais tensões geopolíticas.
O banco de investimentos americano Bernstein destacou que a resiliência do mercado de Bitcoin tem uma causa estrutural: uma mudança fundamental no perfil de seus detentores, com os investidores institucionais assumindo o papel de força dominante.
Do lado institucional, a MicroStrategy — muitas vezes chamada de "o último banco central do Bitcoin" — manteve sua estratégia de comprar BTC em momentos de fraqueza do mercado. Recentemente, a empresa adquiriu 22.337 BTC a um preço médio de aproximadamente US$ 70.194, elevando seu total para 761.068 BTC, com um custo médio por unidade em torno de US$ 75.696.
As ações da MicroStrategy (MSTR) atualmente são negociadas com um desconto de 14% em relação ao valor patrimonial líquido em BTC. Isso oferece aos investidores do mercado tradicional uma exposição de alta alavancagem ("high beta") à valorização do Bitcoin. Paralelamente, o financiamento obtido por meio de seus produtos de dívida de alto rendimento (STRC) garante a liquidez necessária para sustentar suas aquisições contínuas.
No fluxo de capitais, os ETFs de Bitcoin à vista atraíram cerca de US$ 2,1 bilhões em entradas nas últimas três semanas, o que representa aproximadamente 6,1% da oferta total. Entre os participantes desse movimento estão gestoras de patrimônio, fundos de pensão e investidores soberanos.
Apesar de os investidores de varejo terem registrado um saldo líquido de vendas recentemente, a proporção de detentores de longo prazo do Bitcoin segue elevada: cerca de 60% dos BTC não foram movimentados nos últimos 12 meses, reforçando sua característica como reserva de valor de longo prazo.
As análises indicam que o destaque do Bitcoin sob pressão geopolítica reacendeu o debate sobre seu papel como "ouro digital". Além disso, o aumento contínuo das posições institucionais e a postura firme dos detentores de longo prazo consolidam ainda mais sua relevância na alocação global de ativos.
