300亿美金掌舵人,高瓴资本创始人张磊:投资就是投人

Gestor de US$ 30 bilhões, Zhang Lei, fundador da Hillhouse Capital: investir é investir nas pessoas

BroadChainBroadChain01/02/2020, 13:50
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Resumo

Aproveite as oportunidades, seja amigo do tempo e torne-se um vencedor.

Autores | Zhang Lei, Qiu Guolu et al.

Este artigo é uma compilação da introdução do livro “As Coisas Não Simples na Investimento”, bem como de materiais da Gao Yi Asset Management, entre outros.

“O mais caro no investimento não é o dinheiro, mas sim o tempo!”

Já conheço há muito tempo Qiu Guolu, Deng Xiaofeng, Zhuo Liwei, Sun Qingrui, Feng Liu e Wang Shihong — esses seis investidores. Cada um deles possui um fascinante charme pessoal e conhecimentos profundos que me inspiram profundamente. Além disso, todos compartilham uma característica comum: uma busca honesta pela verdade, uma humilde autocrítica e uma fé sincera no espírito empreendedor. Acredito que justamente essas qualidades os uniram, levando-os a fundar coletivamente o “Clube de Investimento”, onde realizam conversas noturnas ao redor da lareira — como dizia o antigo poema: “Com as folhas caídas e as águas secas, mil penhascos ficam despidos; de repente, vejo claramente meu verdadeiro eu. Sentado diante dos antigos manuscritos, a luz da vela faz tremer as paredes; canto alto à meia-noite, enquanto a neve cobre a cabana.”

No que diz respeito ao investimento, as coisas simples e as não simples podem ser surpreendentemente semelhantes: Como manter a calma interior, resistindo às contínuas interrogações do mercado e à autocrítica constante, sem seguir a maré? O que mais se exige é uma capacidade excepcional de pesquisa aprofundada sobre setores, empresas e mercados, aliada a um forte senso de disciplina pessoal e à intenção original de investir.

“Encontrar as melhores empresas e tornar-se amigo do tempo” é uma das melhores interpretações do investimento de valor. A essência do retorno sobre o investimento reside no fato de o investidor atuar como proprietário da empresa, beneficiando-se do valor acumulado pela equipe gestora por meio da inovação e do crescimento empresarial. Muitos costumam lamentar que o mais caro no investimento não é o dinheiro, mas sim o tempo. Estar disposto a dedicar mais tempo à pesquisa, à posse contínua e ao acompanhamento do crescimento da empresa equivale a “dedicar tempo suficiente para ser amigo das melhores empresas”. Essa persistência e confiança de longo prazo derivam de julgamentos racionais sólidos, de uma avaliação realista dos riscos, bem como da coragem e honestidade genuínas.

“Mais pesquisa visa a menos decisões. Somente ao concentrar esforços persistentes na análise de um número reduzido — porém crucial — de variáveis conseguimos elevar significativamente a certeza e a probabilidade de sucesso do investimento. Este é o método mais simples e mais fundamental.” Essa “elevação lógica” seguida por uma “redução nas decisões” constitui, sem dúvida, a melhor descrição da verdade. Os investidores não podem acompanhar pessoalmente todos os aspectos do crescimento de uma empresa, tampouco prever fatores imprevisíveis do mercado. As limitações inerentes à cognição individual e o caráter caótico das mudanças de mercado formam naturalmente uma contradição. É exatamente por isso que, nessa longa jornada rumo ao conhecimento, devemos cultivar uma postura humilde, concentrando-nos continuamente em um número limitado de variáveis-chave “previsíveis, projetáveis e imagináveis”, retornando assim à essência da pesquisa — ousar formular hipóteses e verificar cuidadosamente, identificando o “moat” (vantagem competitiva sustentável) da inovação e do desenvolvimento empresarial, para então tomar as melhores decisões possíveis.

A China possui vantagens de escala incomparáveis, e a maioria dos setores já percorreu uma curva de aprendizado íngreme sem precedentes — essa é, de fato, a sorte de uma grande nação.” Certamente, as grandes nações são afortunadas: durante seu rápido desenvolvimento, impulsionado pela combinação simultânea de bônus demográficos, políticas favoráveis e vantagens industriais, as empresas têm ampla liberdade para inovar, com baixíssimos custos de experimentação e enormes vantagens de escala — um ambiente ideal para que os empreendedores chineses demonstrem plenamente seus talentos.

Podemos observar que a China está produzindo cada vez mais empreendedores, inventores, cientistas e empresários admiráveis, que buscam constantemente a excelência na inovação científica, industrial e de produtos. É precisamente isso que fundamenta a razão de adotarmos o investimento de valor.

Para o atual mercado de capitais chinês, o investimento de valor já deixou de ser um conceito novo. Um número crescente de adeptos convictos e praticantes está explorando, com suas próprias formas de raciocínio, novos territórios ainda desconhecidos. O investimento de valor cria laços emocionais de confiança e respeito mútuo entre investidores e empresários. É exatamente esse vínculo que permite aos empresários ousar experimentar ideias grandiosas, mantendo o foco nos próximos 10 ou 20 anos, analisando as futuras transformações na vida e na produção sob uma perspectiva extremamente longa. Esse tipo de investimento ultralongo, originado na filosofia do investimento de valor, fornece às empresas a força motriz mais sólida.

Em certo sentido, assumir parte do risco inovador dos empresários excepcionais constitui a origem essencial do retorno extraordinário gerado pelo investimento de valor.

As 27 ideias de Zhang Lei: Investir significa investir nas pessoas

Investimento e educação são os dois temas que Zhang Lei menciona constantemente. Ele costuma dizer que “investir significa investir nas pessoas”, buscando empreendedores confiáveis, com visão estratégica, generosidade e capacidade executiva. Com uma mão no investimento e outra na filantropia, a Hillhouse Capital tem desempenhado ambos os papéis com extrema dedicação e excelência, atraindo atenção considerável. Enquanto líder de um patrimônio de US$ 30 bilhões, Zhang Lei mantém-se discretamente distante da mídia, mantendo apenas uma distância saudável. Quando ocasionalmente surge sob os holofotes, metade de seu tempo é dedicada à formação de talentos. A Hillhouse Capital adota uma filosofia de investimento de valor de longo prazo e, ao tratar da formação de talentos, enfatiza sempre a amplitude de visão, o desenvolvimento sustentável e a criação de ganhos mútuos.

1. Do ponto de vista do investidor, muitos investimentos de risco exigem uma saída (exit), mas as pessoas são um investimento que nunca exige saída. Ao longo desses anos de prática, tornei-me profundamente consciente de que a educação é o investimento mais importante e mais sábio na vida. Espero promover, de forma inovadora, uma educação inclusiva, assumindo responsabilidades e criando valor durante o processo de transformação social.

2. A filosofia de investimento da Hillhouse aplica-se igualmente à educação e às escolhas de vida em muitos aspectos. Primeiro, “manter a retidão e usar a singularidade”, ou seja, inovar com base na adesão ao “caminho correto”; segundo, “milhares de rios fluem, mas só se toma uma concha”, o que significa que cada pessoa deve focar-se na parte em que é mais talentosa, dentro de seus limites de aptidão; terceiro, “as pereiras e os pessegueiros não falam, mas os caminhos se formam naturalmente sob eles”, indicando que, ao simplesmente fazer bem o seu trabalho, o sucesso virá naturalmente.

3. No campo dos investimentos, prefiro empreendedores que desejam “realizar grandes feitos”; na educação, gosto de descobrir e cultivar talentos juntamente com empresários que possuem uma visão estratégica ampla. Meu maior prazer é ajudar pessoas excepcionais a realizarem sonhos ainda maiores.

4. O “investimento de valor” pode ser dividido em duas fases: a primeira é descobrir valor; a segunda é criar valor. Da mesma forma, na educação também devemos descobrir nossos próprios talentos e valores, construir e utilizar nossas singularidades para criar novos valores — e, nesse processo de “investimento de valor”, forjar nosso próprio sucesso.

5. Uma boa plataforma educacional pode moldar o caráter e a visão estratégica de uma pessoa; dialogar diretamente com líderes empresariais notáveis pode elevar sua perspectiva e amplitude de visão. Devemos refletir sobre como passar tempo suficiente com pessoas de alta qualidade e realizar atividades de alto nível. Ganhar dinheiro é apenas uma consequência natural desse processo.

6. O significado da riqueza vai muito além do material e do dinheiro: ela representa uma profunda responsabilidade moral e social. Uma vez que nossa riqueza provém da sociedade, devemos utilizá-la sabiamente para servir e retribuir à sociedade. Em termos menores, trata-se de um ciclo virtuoso entre conhecimento e riqueza; em termos maiores, busca-se alinhar o valor pessoal com o objetivo final de beneficiar a humanidade. Ao oferecer uma rosa a outrem, as mãos permanecem perfumadas.

7. Vejo-me não apenas como um doador de riqueza, mas também como um executor de modelos inovadores de educação. Para empresários, doar dinheiro é relativamente fácil. O mais importante é dedicar esforço e tempo para introduzir, de forma prática e adaptada à realidade chinesa e às tendências de desenvolvimento, ideias e recursos educacionais de classe mundial.

8. É absolutamente necessário pensar livremente entre setores, fronteiras e disciplinas. Na nova era industrial, o principal impulsionador continua sendo a ciência e a tecnologia, exigindo verdadeira inovação científica — especialmente nas ciências básicas e nas chamadas “ciências duras”. Nesse contexto, os profissionais precisam possuir conhecimentos multidisciplinares: saber apenas administração de negócios ou economia financeira já não é suficiente.

9. O sistema educacional chinês possui muitos pontos positivos, como o desenvolvimento de grande resiliência nos estudantes por meio de treinamento prolongado e múltiplas avaliações — qualidades essenciais para o desenvolvimento pessoal futuro, tanto no empreendedorismo quanto nos investimentos. Contudo, diante das rápidas mudanças no ambiente socioeconômico, é preciso formar profissionais interdisciplinares, capazes de unir inteligência comercial e competências científicas. Essa é uma demanda do mercado e também da sociedade.

10. Não podemos construir apenas uma ponte: precisamos de muitas pontes diferentes — e até mesmo barcos — para ajudar todos a alcançarem, por diversos meios, a outra margem da educação, do autoconhecimento e do enriquecimento pessoal. Trata-se, na verdade, de uma exigência de diversidade educacional: a educação de elite, a educação inclusiva, a educação profissionalizante e outras formas diversas devem todas ter espaço para crescer.

11. Sempre acreditei que a construção do futuro exige imaginação ilimitada e execução concreta — e que, quando essas duas forças se unem, surge a inovação, cujo núcleo é, justamente, o talento humano.

12. A educação é um campo profundamente marcado pela empatia e pelo estímulo emocional. Quanto mais avançamos numa era dominada por máquinas e pela inteligência artificial, mais urgentemente precisamos da empatia humana única e das interações emocionais genuínas — coisas verdadeiramente calorosas. A inovação tecnológica acabará guiando a inovação educacional: a IA representa um desafio para a educação, mas também oferece à humanidade uma oportunidade ainda maior de recriar a história.

13. A profunda integração entre finanças e tecnologia abre um espaço inovador ainda mais amplo para a formação de talentos. Envolver-se na inovação em Fintech e finanças digitais não é privilégio exclusivo de estudantes com formação técnica: profissionais das artes, das humanidades e de outras áreas sociais têm igualmente um papel fundamental a desempenhar.

14. A entrada para o futuro é a ciência e a educação. Precisamos tanto de cientistas com senso de negócios e espírito humanista, quanto de empresários com conhecimento científico e respeito pela ciência — capazes de trabalhar lado a lado com os cientistas.

15. O humanismo e o elitismo devem ser combinados: os elites não devem se isolar narcisicamente — “trancando-se numa torre isolada” —, mas sim acompanhar o ritmo do desenvolvimento social e realizar seu próprio valor por meio da interação com a sociedade.

16. Não apenas devemos dominar a capacidade de raciocínio científico, mas também manter, constantemente em nossos corações, a centelha do espírito humanista. Devemos abraçar as mudanças com coragem e uma postura de “se não eu, quem mais?”; devemos usar o princípio da primeira causa para investigar continuamente os fundamentos de valor do mundo; e devemos utilizar o espírito humanista para iluminar nosso farol interior — pense grande, pense a longo prazo!

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17. Não pergunte o que a instituição de ensino lhe oferece de valor, mas sim o quanto de valor você mesmo é capaz de criar. Essa “criação de valor” é, na verdade, um processo contínuo e dinâmico de construção pessoal.

18. Uma das coisas mais importantes na vida é encontrar um grupo de pessoas de quem você realmente goste e em quem possa confiar plenamente, para juntos realizarem coisas interessantes.Valorize as pessoas ao seu redor, pois você nunca sabe quando dirá adeus.Na jornada da vida, escolher com quem caminhar é mais importante do que o destino para onde se vai.

19. Manter sempre a curiosidade intelectual (intellectual curiosity) é extremamente importante para os jovens. A única coisa constante no mundo é a própria mudança; e é justamente a mudança que impulsiona a inovação. Portanto, devemos focar nas mudanças. Somente mantendo permanentemente essa curiosidade e acolhendo continuamente a inovação é que poderemos gerar um valor benéfico, ampliando o bolo econômico e promovendo um cenário aberto e mutuamente vantajoso.

20. A verdadeira honestidade intelectual (intellectual honesty) significa jamais enganar os outros — nem a si mesmo. Embora, às vezes, alguém consiga ter sucesso sem recorrer à honestidade, esse tipo de sucesso é, em primeiro lugar, insustentável, e, em segundo lugar, acabará por voltar-se contra o próprio autor.

21. Nossa educação sempre priorizou demais as aulas expositivas em detrimento do pensamento crítico; contudo, a independência intelectual (intellectual independence) é extremamente importante. A capacidade de pensar de forma independente constitui, na verdade, a base fundamental para determinar até onde você será capaz de seguir em frente.

22. A empatia (empathy) é muito importante. Após acumular mais experiências, a maior mudança em mim foi tornar-me mais capaz de compreender a complexidade e a diversidade do mundo e da sociedade, tornando-me mais tolerante. Isso significa que posso, com mais facilidade, colocar-me no lugar dos outros, perdoá-los, apreciá-los e considerar seus problemas.

23. Quando uma pessoa possui simultaneamente curiosidade, independência de pensamento, honestidade e empatia, além de uma mentalidade voltada para a luta a longo prazo, o que resta são apenas questões de sorte e da lei dos grandes números. Faça repetidamente aquilo que lhe inspira paixão — e faça-o com prazer —, pois o sucesso será apenas uma questão de tempo.

24. Uma forte capacidade de aprendizado e uma perspicácia aguçada sobre as coisas constituem a “muralha protetora” das habilidades de uma pessoa. É preciso aprender a manter firmemente seus ideais e valorizar as oportunidades únicas — ainda que pouco compreendidas no curto prazo —, fortalecendo assim sua “muralha protetora”.

25. Devemos cultivar mais intensamente o espírito esportivo. Os benefícios trazidos pelo esporte vão além da saúde física, abrangendo também cooperação em equipe, competição e como lidar com a derrota, entre outros aspectos. Em qualquer esporte competitivo, haverá inevitavelmente derrotas — ninguém vence sempre.

26. Levar algo à perfeição é exatamente o que hoje chamamos de “espírito artesanal”. Para jovens empresários e jovens empreendedores, alcançar resultados extraordinários imediatamente é impossível; o mais comum é aproveitar as oportunidades para treinar e desenvolver-se. Recomendo pessoalmente que, mesmo nas tarefas menores, você se esforce para atingir a excelência e fazer o melhor possível. O grande ambiente externo pode ser difícil de mudar, mas podemos buscar construir um pequeno ambiente favorável; e, à medida que muitos desses pequenos ambientes forem transformados, o grande ambiente também mudará.

27. Espero que todos vocês optem por ser amigos do tempo. Ser amigo do tempo exige uma forte autodisciplina e um senso de responsabilidade genuíno. Em um mundo onde a maioria está obcecada pela “gratificação imediata” (instant gratification), aqueles que compreendem o conceito de “gratificação diferida” (delayed gratification) já saíram na frente. Chamo isso de “escolha de adiar o sucesso”. Há um ditado que diz: “Aprecie as coisas belas com uma visão ampla e de longo prazo”, ou seja, devemos olhar para o futuro e para o todo, com uma perspectiva ampla e estratégica. Costumo recomendar aos empreendedores que sigam a estratégia de Zhu Yuanzhang: “acumule grãos abundantemente, erga muralhas altas e adie a proclamação de realeza”. Essa estratégia é eficaz no empreendedorismo e igualmente aplicável à nossa vida cotidiana. Mantenha firme sua escolha interior, sem arrogância nem ansiedade — as melhores histórias surgem justamente das vidas desafiadoras; persista com dedicação, e o tempo certamente se tornará seu amigo.

Retornar à essência do investimento: ser amigo do tempo

Vamos refletir calmamente sobre esta questão: qual é a essência do investimento? Muitos investidores, no início de cada ano, fazem uma espécie de “leitura da sorte”, tentando prever qual será o estilo do mercado de ações naquele ano e quais setores terão mais oportunidades.

Na minha opinião, o investimento deve voltar à essência das empresas.

Qual é a essência do investimento? Simplesmente esperar que o dinheiro investido hoje retorne, no futuro, em valor maior — por exemplo, comprar algo que vale R$ 1,00 por apenas R$ 0,50, ou como diz o ditado: “plantar um grão na primavera para colher dez mil no outono”. Essencialmente, o investimento busca adquirir ativos subvalorizados ou empresas cujo crescimento futuro excederá as expectativas gerais. Para compreender essa essência, devemos analisá-la sob três dimensões.

Dimensão setorial

Primeiro, examine o modelo de negócios do setor. Costumo dizer que escolher uma ação com base no setor é como escolher um imóvel com base no condomínio: você pode reformar sua casa, mas não consegue mudar o ambiente do condomínio — por exemplo, se ele está localizado em uma zona de escolas de referência ou se possui um amplo pátio central. Esses fatores estão fora do seu controle. O mesmo ocorre com as empresas: mesmo que possuam uma gestão excepcional, se operarem em um setor ruim, não importa quão dedicados ou esforçados sejam seus executivos — os resultados dificilmente serão bons. Por outro lado, há setores nos quais ganhar dinheiro é extremamente fácil — o setor de destilados alcoólicos (como o licor baijiu) é um exemplo clássico. Em 2013 e 2014, após a rigorosa regulamentação das despesas oficiais (“três despesas públicas”), a maioria das ações caiu, mas as empresas do setor continuaram obtendo excelentes lucros. Portanto, sob a dimensão setorial, o primeiro critério é justamente o modelo de negócios — ou seja, quão fácil é gerar lucro nesse setor.

Segundo, avalie a estrutura competitiva do setor. Costumamos dizer que “a estrutura determina o resultado final”. Um exemplo típico são as empresas Midea e Gree. O setor de ar-condicionado não é particularmente notável, mas, após a guerra de preços de 2005, consolidou-se uma estrutura de mercado na qual Midea e Gree detêm participação dominante. Após essa otimização estrutural, mesmo com desaceleração do crescimento geral do setor, os resultados financeiros de ambas as empresas cresceram rapidamente, e suas ações valorizaram dezenas de vezes.

Terceiro, examine o potencial de crescimento do setor. Nos últimos 15 anos, a China percorreu um caminho que os Estados Unidos levaram um século para trilhar — chegando, por exemplo, a consumir, em apenas três anos, a mesma quantidade de cimento utilizada pelos EUA ao longo de um século. Nesse contexto, certamente há setores na China cujo espaço de crescimento é limitado — ou até mesmo já se tornaram setores em declínio (“setores do entardecer”). Na seleção de setores, devemos evitar tanto esses setores em declínio quanto aqueles que, logo no início, apresentam uma concorrência acirrada (“cem barcos competindo ao mesmo tempo”). Quando um setor emergente começa a se desenvolver, todos acreditam que ele é promissor: 100 investidores-anjo entram de cabeça, 50 fundos de venture capital (VC) se lançam nele, e as empresas travam guerras de preços entre si — nesse cenário, é impossível saber quem sairá vencedor. O que buscamos são setores nas fases de crescimento e estabilidade. Alguns bens de consumo, por exemplo, encontram-se atualmente na fase de crescimento — e essa etapa é especialmente favorável para investimentos. É claro que também devemos considerar o ciclo de vida dos produtos.

Quarto, avalie as barreiras de entrada do setor. Atualmente, a concorrência é extremamente intensa: qualquer setor com uma taxa de retorno sobre o capital ligeiramente superior ou uma margem líquida um pouco mais alta atrairá imediatamente 100 “imitadores” e 1.000 “cópias”. Por isso, as barreiras de entrada são fundamentais — seja por exclusividade de recursos, restrições regulatórias (licenças), vantagens tecnológicas ou vantagens de marca. No caso do setor de destilados alcoólicos (baijiu), muitas empresas imobiliárias tentaram lançar suas próprias marcas em 2012–2013, mas quase todas desapareceram até 2015–2016 — esse setor possui barreiras reais de entrada, impedindo novos participantes.

Dimensão da empresa

Devemos buscar empresas com excelência em sua categoria. Analise os mecanismos internos de gestão e o posicionamento de seus produtos.

Sempre me pergunto: se essa empresa continuar a crescer, ela se tornará maior e mais forte — ou maior e mais difícil de gerenciar? Em alguns setores, após atingirem certo nível de faturamento, as empresas ultrapassam seu raio de gestão eficaz, perdendo capacidade de replicação e enfrentando dificuldades significativas para crescer — nesses casos, “maior” significa “mais difícil”, exigindo extrema cautela. Muitas empresas chinesas de software, por exemplo, na verdade atuam como integradoras de sistemas, dependendo fortemente de “táticas de massa humana” durante seu crescimento: embora as vendas aumentem, o lucro por funcionário cai constantemente, sem efeito de escala. Isso difere totalmente do modelo de software produtizado da Microsoft. Todos queremos investir em líderes de mercado, com vantagem de escala — empresas que, quanto maiores, mais fortes se tornam.

Dimensão da gestão

A avaliação da gestão envolve dois aspectos: primeiro, sua capacidade; segundo, sua integridade.

A capacidade divide-se em duas dimensões.

Primeiro, avaliar se a estratégia é clara e focada. Muitas empresas realizam transições para outros setores; no entanto, evitamos completamente aquelas que mudam de direção de forma aleatória. Se uma empresa não consegue desempenhar bem sua atividade principal, como poderia ter sucesso ao ingressar em um novo setor? Nos últimos dois anos, pouquíssimas empresas que realizaram tal mudança obtiveram êxito.

Segundo, a execução tática. Para pequenas e médias empresas, o fator-chave é a capacidade pessoal e o carisma do fundador ou CEO. Frequentemente entrevistamos executivos de nível intermediário para verificar se eles admiram seu presidente do conselho; já nas grandes empresas, analisamos os indicadores-chave de desempenho (KPIs) desses executivos.

Geralmente, estudamos um número limitado de empresas, concentrando-nos naquelas cujos negócios compreendemos bem, cujos modelos de negócios são simples e lucrativos. Dedica-se tempo para entender profundamente três aspectos fundamentais: o setor, a empresa e sua gestão. Gastamos muito tempo analisando uma única empresa; assim, quando adquirimos uma posição relevante, mantemo-la por longo prazo.

Nos últimos 18 meses, minha maior posição em ações listadas na Bolsa de Valores de Xangai (A-shares) e na Bolsa de Valores de Hong Kong (H-shares) permaneceu inalterada, pois, antes da compra, já havíamos identificado claramente seu potencial de geração de retornos superiores mesmo em mercados em queda (bear markets). Não há necessidade de trocar constantemente as posições em curto prazo, pois isso prejudica o retorno acumulado a longo prazo. É essencial identificar gestões excepcionais, empresas de alta qualidade e setores com boa capacidade de geração de lucro — tudo isso mediante a acumulação de valor ao longo do tempo.

Após toda essa discussão, o cerne resume-se a responder uma única pergunta:

O tempo é seu aliado?Confiar apenas na sorte ou na coragem para apostar em curto prazo pode ser arriscado — e o que fazer se o mercado mudar de direção?Frequentemente observamos que o mercado muda de direção mais rapidamente do que alguém vira as páginas de um livro.

Voltando à essência do investimento, devemos identificar boas empresas, aproveitar as oportunidades e tornar o tempo nosso aliado — assim, tornar-nos vencedores.