监管大棒、巨头“围剿” 加密行业如何自我救赎?

O Bastão Regulatório e o Cerco das Grandes Corporações: Como a Indústria de Criptomoedas Pode se Redimir?

BroadChainBroadChain03/01/2020, 11:05
Este conteúdo foi traduzido por IA
Resumo

A indústria de criptomoedas enfrentou, em 2019, uma dupla pressão proveniente de regulamentações e das grandes empresas de tecnologia. O YouTube removeu em larga escala vídeos sobre criptomoedas; a loja de aplicativos do Google retirou da plataforma a carteira MetaMask; a Apple impôs restrições rigorosas à publicação de aplicativos de criptomoedas — tudo isso evidencia os vieses e riscos inerentes às plataformas centralizadas.

No último dia de 2019, Sun Yuchen, fundador da TRON, fechou sua última aquisição do ano: a plataforma de streaming descentralizada DLive entrou oficialmente para o ecossistema BitTorrent e iniciou sua migração para a rede TRON. Ao incorporar a DLive — lançada em 2018 e com mais de 5 milhões de usuários ativos por mês —, Sun Yuchen declarou que seu objetivo era "gerar valor para o mundo todo". No entanto, apenas duas semanas antes, o influenciador havia sofrido uma derrota no Weibo, onde sua conta com mais de 1 milhão de seguidores foi banida sem aviso. Após tentativas frustradas de diálogo com a equipe oficial, ele se viu forçado a migrar para o Twitter.

Em 25 de dezembro de 2019, Alex Saunders, fundador do canal de criptomoedas "Juejin News", não estava com o menor espírito natalino. Naquele dia, ele descobriu que o YouTube havia removido mais de 50 vídeos de seu canal pessoal, classificando-os como "conteúdo prejudicial ou perigoso". Para evitar mais remoções, Alex Saunders tornou privados os vídeos restantes e entrou em contato com o suporte do YouTube — mas não obteve resposta. Pior: novos vídeos continuavam sendo deletados, deixando-o cada vez mais desamparado. No Twitter, ele relatou ter acabado de contratar um novo funcionário e precisar sustentar a família; diante das remoções contínuas, sequer havia um canal formal para recorrer.

Sob o rígido ambiente regulatório atual, os profissionais do ainda não "legitimado" universo das criptomoedas enfrentaram um ano extremamente difícil em 2019. De um lado, sofriam com a "estigmatização" e com um clima profissional prejudicado por "maus elementos"; de outro, viviam com o temor constante de serem expulsos ou banidos pelas grandes plataformas de tecnologia, perdendo assim seu último espaço de divulgação.

Escapar dessa situação era excepcionalmente difícil.

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O orgulho e o preconceito dos gigantes

Além de Alex Saunders, outros criadores de conteúdo também tiveram vídeos removidos pelo YouTube: o divulgador canadense de Bitcoin BTCSessions, o analista de preços Sunny Decreate, o programador de criptomoedas Ivan on Tech, o educador Omar Bham e Michael "Boxming" Gu, fundador de uma mídia especializada em criptomoedas. Sem exceção, todos haviam produzido conteúdo relacionado ao setor.

A remoção de centenas de vídeos causou grande comoção na comunidade. O que mais indignou os criadores não foi apenas a exclusão integral de seu trabalho, mas também o recebimento de cartas oficiais do YouTube em tom severo, alertando que, se publicassem conteúdos semelhantes novamente, suas contas seriam banidas permanentemente. A maioria dos vídeos — assim como os do Juejin News — foi classificada como "conteúdo prejudicial ou perigoso".

Com a repercussão crescendo e o debate se intensificando no Twitter, o YouTube, incapaz de resistir à pressão coletiva, finalmente emitiu uma declaração oficial: "Todos os vídeos envolvidos nesse incidente foram removidos por engano; serão restaurados e nenhum canal afetado sofrerá sanções."

Em 27 de dezembro, Alex Saunders informou que seus 250 vídeos removidos haviam sido totalmente restaurados — porém, ninguém da equipe oficial entrou em contato para explicar o ocorrido. Apesar de ter sido apenas um susto, ficou claro que uma crise de confiança já estava instalada.

Como subsidiária integral do Google, o YouTube representa, em certa medida, a postura da empresa em relação ao setor. Até mesmo Vitalik Buterin, criador do Ethereum, sugeriu que poderia haver influência direta do Google por trás do incidente.

Coincidentemente, também em 27 de dezembro, a carteira de criptoativos MetaMask publicou um tweet anunciando que o Google havia removido sua versão para Android da Google Play Store, alegando violação da política de serviços financeiros — especificamente a cláusula que "proíbe aplicativos de minerar criptomoedas diretamente no dispositivo". A equipe da MetaMask recorreu imediatamente, solicitando uma reavaliação, mas teve o pedido rejeitado de forma rápida e definitiva.

Diante disso, Dan Findlay, principal desenvolvedor da MetaMask, declarou: "Espero sinceramente que os revisores do Google admitam honestamente o erro. No entanto, considerando também a recente proibição de conteúdos sobre criptomoedas no YouTube, fico profundamente insatisfeito com a política do Google sobre o tema. Se continuarmos cedendo constantemente a práticas arbitrariamente autoritárias baseadas em monopólio, será extremamente difícil construir algo melhor."

Remoção da MetaMask da Google Play Store

Na verdade, essa não foi a primeira vez que a MetaMask foi removida pela Google Play Store. Já em 25 de julho de 2018, sua extensão para navegadores havia sido retirada da Chrome Web Store. Embora tenha sido rapidamente restaurada após investigação, a equipe da MetaMask revelou que não recebeu qualquer notificação por e-mail no momento da remoção; ao questionar o Google, a única resposta foi: "remoção acidental".

A história parece se repetir com frequência impressionante: por trás desses sucessivos "erros acidentais" escondem-se, na verdade, o orgulho e o preconceito do Google.

E não é só o Google: a Apple também observa o setor com olhar vigilante. Em 9 de agosto de 2018, a App Store removeu de uma só vez mais de 20 mil aplicativos — entre eles, diversos relacionados a criptomoedas, incluindo várias carteiras digitais. Dois meses antes, a Apple havia atualizado suas diretrizes para o setor, restringindo significativamente o desenvolvimento de aplicações voltadas a carteiras, negociações, mineração e ICOs.

Essas restrições são particularmente severas na versão chinesa da App Store: mesmo quando os aplicativos são submetidos estritamente conforme as diretrizes, há grande chance de serem rejeitados. Assim, muitos desenvolvedores recorrem a versões "empresariais" ou "de teste via TestFlight" para contornar a revisão — mas, como esses canais não são oficiais, os usuários frequentemente enfrentam problemas como "perda de assinatura", "travamentos" ou "expiração do aplicativo", resultando em uma experiência extremamente negativa.

Em 28 de dezembro de 2019, Brian Armstrong, CEO da Coinbase, publicou um post no Reddit afirmando que a Apple estava eliminando a funcionalidade de navegador de DApps de seus aplicativos na App Store. Para "estar em conformidade com as políticas", a carteira móvel Coinbase Wallet removeria essa função. De forma similar, o provedor multi-chain TokenPocket também havia removido, ainda naquele ano, a funcionalidade de navegador de DApps de sua versão para iOS.

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A posição clara de Jack Dorsey, um líder do Vale do Silício

Como CEO do Twitter e entusiasta de longa data do Bitcoin, Jack Dorsey provavelmente compreende melhor do que a maioria o significado e o potencial da indústria de blockchain e criptomoedas. Durante sua liderança no Twitter, ele experimentou na pele os problemas decorrentes de um modelo excessivamente centralizado.

Em 11 de dezembro, Jack Dorsey publicou, de forma inesperada, uma série de tweets anunciando que financiaria uma pequena equipe independente composta por cinco profissionais — arquitetos de software aberto, engenheiros e designers — com o objetivo de explorar padrões abertos e descentralizados para redes sociais. O propósito final é que o próprio Twitter possa se beneficiar diretamente desse esforço.

No Twitter, Jack Dorsey destacou que as redes sociais enfrentam atualmente sérios desafios: primeiro, o modelo "centralizado" dificilmente resolve, sem sobrecarregar os usuários, os problemas de abuso de informações e disseminação maciça de conteúdos enganosos; segundo, as redes sociais já se distanciaram da lógica básica de permitir que os usuários publiquem ou excluam conteúdos, passando a impor "recomendações inteligentes" — algoritmos cuja escolha os usuários não controlam, apenas aceitam passivamente; terceiro, as redes sociais atuais tendem a direcionar os usuários para temas controversos e conteúdos violentos, em vez de priorizar informações positivas e construtivas; por fim, Jack Dorsey afirmou que a tecnologia blockchain oferece uma solução aberta, sustentável, governável e até mesmo incentivada por tokens — embora ainda reste muito trabalho a ser feito, a estrutura geral já está estabelecida.

Segundo Jack Dorsey, trata-se de uma transformação radical das redes sociais, partindo do zero. O Twitter não pretende controlar todo o projeto, mas sim participar ativamente — esperando, com isso, alcançar um público mais amplo e orientar seus próprios algoritmos de recomendação rumo a conteúdos mais positivos. Esse projeto utópico foi batizado por ele de "Bluesky".

Após o anúncio, o tema gerou amplo debate e grande entusiasmo. Muitos profissionais da internet expressaram apoio às ideias de Jack Dorsey. Entre os líderes de opinião do setor de criptomoedas, destacam-se Vitalik Buterin (Ethereum), Brendan Blumer (CEO da block.one), CZ (Changpeng Zhao, fundador da Binance), Sun Yuchen (fundador da TRON), Anthony Pompliano ("pomp", fundador da Morgan Creek) e Charles Hoskinson (fundador da Cardano), todos manifestando apoio explícito.

Anthony Pompliano, fundador da Morgan Creek, chamou o projeto de "extraordinário", acrescentando que Jack Dorsey é justamente a pessoa com reputação suficiente para impulsioná-lo.

Brendan Blumer, CEO da block.one, afirmou que a plataforma descentralizada de mídia social VOICE, construída sobre EOSIO, já está em desenvolvimento há bastante tempo, e que espera colaborar com a equipe Bluesky para avançar conjuntamente.

Brian Armstrong, CEO da Coinbase, declarou estar muito satisfeito ao ver o Twitter investir em protocolos — e não em plataformas. Embora o desenvolvimento de protocolos seja extremamente difícil, eles possuem excelentes características em termos de uso justo, promoção de comportamentos saudáveis e redução das barreiras de entrada para iniciantes.

Além dos profissionais do setor de criptomoedas, especialistas de áreas tradicionais também contribuíram com sugestões: a equipe do Firefox expressou boa vontade, lembrando que, nos últimos 15 anos, investiu recursos substanciais na pesquisa de uma internet gratuita e aberta, e que gostaria de apoiar a equipe Bluesky; Neha Narula, diretora de Pesquisa em Criptomoedas do MIT, enviou a Jack Dorsey um relatório de cem páginas intitulado "Construindo uma Rede Social Descentralizada"; Tim Pastoor, fundador da startup de identidade digital 2way, comparou a iniciativa de Jack Dorsey ao financiamento que a AT&T concedeu ao Bell Labs em 1947 — responsável pelo desenvolvimento do transistor, do LED e da célula solar.

O amplo apoio a Jack Dorsey revela, na verdade, uma frustração acumulada há muito tempo contra os abusos arbitrários dos gigantes monopolistas e contra a violação sistemática dos direitos dos usuários — bem como uma urgente necessidade de mudança. Quando as pessoas se cansam de um ambiente em que direitos e obrigações estão desequilibrados, partir e reconstruir torna-se uma rota inevitável e absolutamente justificável.

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A batalha por liberdade do mundo das criptomoedas

A equipe Bluesky de Jack Dorsey está prestes a iniciar sua jornada — mas a exploração de redes sociais descentralizadas já atravessou anos de altos e baixos.

Já em 2011, Bill Ottman criou a Minds, uma rede social descentralizada de código aberto, com o objetivo de oferecer ao mundo uma alternativa gratuita, aberta e sustentável ao Facebook. Essa visão parece convergir com a de Jack Dorsey. Além disso, a Minds prioriza a transparência informativa, a proteção da privacidade e a liberdade de expressão dos usuários. Na plataforma, qualquer pessoa pode criar e excluir livremente seus próprios dados e perfis. Para Bill Ottman, os sistemas de código aberto acabarão dominando o futuro — assim como ocorreu com a Wikipedia. E, quando governos intensificarem o controle sobre a opinião pública e pressionarem as redes sociais centralizadas, a Minds poderá servir como o último refúgio para os usuários.

Rede social descentralizada Steemit

Lançada em 2016, a Steemit é, atualmente, talvez a rede social baseada em blockchain mais popular. Diferentemente da Minds — cujo propósito inicial era garantir liberdade de expressão e resistência à censura —, a Steemit é uma rede social impulsionada pela economia de criptomoedas. Em seu site oficial, quatro caracteres chineses destacam-se: "Miao Bi Sheng Jin" ("A pena dourada gera riqueza"), lembrando aos usuários que ideias excelentes podem ser convertidas em valor tangível.

Na rede Steemit, os usuários podem publicar qualquer conteúdo sem risco de remoção. Contudo, seu mecanismo interno de moderação limita a exibição de conteúdos irrelevantes na página inicial. Caso a maioria dos usuários vote contra determinado conteúdo, o "peso" (influência) do autor é reduzido; e, se ele persistir na publicação de conteúdos de baixa qualidade, poderá sofrer "falência de reputação": embora ainda conserve o direito de publicar, ninguém mais verá seus posts.

Além de plataformas baseadas em texto e imagens, a DTube busca construir um site de vídeos descentralizado utilizando tecnologia blockchain. Assim como a Steemit, ela emprega o sistema de incentivos econômicos da rede principal Steem; para armazenamento de fotos e vídeos, utiliza o sistema descentralizado IPFS.

Como outras redes sociais descentralizadas, a DTube visa criar uma rede de valor resistente à censura, transparente e sem necessidade de permissão. No DTube, nunca ocorrerá o que acontece no YouTube — ou seja, a remoção arbitrária de vídeos por parte dos criadores de conteúdo. Assim, os produtores poderão se concentrar em seu trabalho, em vez de gastar energia lidando constantemente com regulações impostas pelas plataformas.

E não são apenas as plataformas descentralizadas consolidadas que avançam: novos projetos também surgem continuamente. Em 1º de junho de 2019, durante o evento "june1" da block.one — empresa-mãe da blockchain EOS —, foi anunciado o lançamento iminente da Voice, uma nova plataforma social descentralizada. Além das características típicas, a Voice introduziu o conceito de "UBI" (Renda Básica Universal), ajudando cada indivíduo a encontrar sua voz na blockchain.

Embora a exploração de plataformas descentralizadas pareça já ter atingido um estágio preliminar de maturidade, elas enfrentam, na realidade, inúmeros desafios internos.

Sob o modelo de incentivos econômicos baseado em criptomoedas, a motivação para escrever artigos ou expressar opiniões já não é mais pura: plágio, "reescrita" e conteúdos excessivamente similares proliferam; e práticas generalizadas de "votação fraudulenta" prejudicam gravemente os criadores originais. Além disso, a ausência de mecanismos eficazes de moderação permite o abuso de conteúdos pornográficos, violentos e publicitários — exigindo enorme investimento de tempo e recursos por parte das equipes para resolvê-los. Por fim, como essas redes são construídas sobre tecnologia blockchain, seus primeiros usuários são majoritariamente profissionais e entusiastas do setor — o que faz com que o volume de conteúdos relacionados a blockchain supere amplamente os temas humanísticos, artísticos ou cotidianos. Os altos obstáculos de entrada e os custos elevados de aprendizado também retardam drasticamente o crescimento do número de usuários, dificultando a formação de interações sociais genuínas.

Contudo, independentemente desses desafios, a maré da mudança já chegou — e o avanço tecnológico oferece às pessoas mais opções do que nunca. Se o setor de criptomoedas conseguir romper as amarras do mundo tradicional, ainda resta um longo caminho a ser percorrido, repleto de inúmeros testes e desafios.