投资中如何战胜恐慌

Como superar o pânico ao investir

BroadChainBroadChain04/02/2020, 13:15
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Resumo

Se abandonarmos nossa coragem por medo, podemos perder a melhor oportunidade.

Autor: Mistério Shu
Fonte: Chongyang Investment

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A famosa frase de Warren Buffett — “Sinto medo quando os outros estão gananciosos; sou ganancioso quando os outros têm medo” — tornou-se uma verdade incontestável no mundo dos investimentos. Sempre que o mercado sofre uma forte queda, essa frase é invocada para acalmar os ânimos. Todos a ouvem e concordam com sua sabedoria, mas, na prática, a maioria continua gananciosa quando o mercado está ganancioso e continua com medo quando o mercado entra em pânico.

O fato de “saber ser fácil, mas agir ser difícil” ocorre, em grande parte, porque esse “saber” não é verdadeiro — pois, embora a verdade se manifeste muitas vezes como uma simples frase ou fórmula, ela omite, por trás, profundas deduções científicas ou filosóficas. Se conhecemos apenas a superfície, sem compreender sua essência, então esse conhecimento não é genuíno.

O livro Buscando a Sabedoria — De Darwin a Munger dedica uma seção inteira ao medo humano. Após lê-la, percebemos que o medo é um legado emocional herdado de nossos ancestrais. Na sociedade florestal em que viviam nossos antepassados, os perigos eram constantes: predadores, cobras venenosas e até mesmo massacres cometidos por outros humanos podiam ceifar vidas a qualquer momento. Diante dessas ameaças, quem reagisse mais rapidamente fugindo teria maior chance de sobreviver. Assim, os indivíduos com maior sensibilidade ao medo tinham vantagem evolutiva, sobrevivendo e transmitindo essa característica às gerações seguintes. Essa história evolutiva deixou provas fisiológicas: no fundo do cérebro, alinhado com a parte superior das orelhas, localizam-se duas estruturas neuronais simétricas, uma em cada lobo temporal medial, com formato semelhante a amêndoas — chamadas amígdalas. Estudos indicam amplamente que a amígdala cerebral é o centro neural responsável pela formação de memórias relacionadas ao medo, ajudando-nos a evitar perigos. Sua velocidade de reação é impressionante — apenas 12 milissegundos — mais rápida que o piscar dos olhos em 25 vezes. Ela funciona como um sistema de alerta corporal, despertando emoções de medo diante de ameaças. Contudo, por sua natureza excessivamente vigilante, o medo possui uma tendência inata à amplificação. Pesquisas também revelam que basta testemunhar um evento doloroso para que uma pessoa experimente uma sensação de medo tão intensa quanto a do próprio envolvido — e, em alguns casos, até mais intensa. A observação feita pelo filósofo romano Sêneca é profundamente perspicaz: “Nossos medos frequentemente superam os próprios perigos.”

O medo não só se amplifica, como também é contagioso. A evolução humana não seguiu apenas o caminho da seleção natural, mas também obedeceu às leis da seleção social. Em épocas em que a caça coletiva era essencial para a sobrevivência, um indivíduo excluído ou não aceito pelo grupo corria risco tão grave quanto aquele incapaz de fugir de cobras ou predadores. Isso nos deixou uma inclinação psicológica para a conformidade social — isto é, tentar agir o mais possível como os demais. Um interessante experimento psicológico demonstra isso: se alguém entrar num elevador e ficar de costas para a porta, as pessoas que entrarem logo depois, embora saibam que tal postura é estranha, tenderão a adotá-la também. Esse caminho evolutivo garantiu nossa segurança dentro do grupo, mas também fez com que cedêssemos nossa racionalidade e nossa vontade individuais à inconsciência coletiva — transformando-nos, nas palavras de Gustave Le Bon, numa “multidão desorganizada”.

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Todos possuem uma amígdala, o que mostra que, perante a evolução, todos somos iguais. A história evolutiva deixou em cada um de nós tanto aspectos positivos quanto negativos. Quem consegue filtrar esse legado evolutivo — descartando o supérfluo e preservando o essencial — é, de fato, um mestre. A dialética é a arma comum desses mestres: todos entendem que “tudo tem seu limite extremo, após o qual se inverte”, assim como a lua, ao atingir sua plenitude, começa a minguar.

“Tudo tem seu limite extremo, após o qual se inverte” vem do I Ching (Livro das Mutações), quatro palavras que resumem toda uma sabedoria profunda. Elas nos ensinam que muitos pares de opostos no mundo são, na verdade, interdependentes, mutuamente inclusivos e capazes de se transformar uns nos outros — como o yin e o yang do símbolo taoista, formando um “ciclo imortal”. O Sol e a Lua obedecem a essa regra: “Ao meio-dia, o Sol começa a declinar; ao atingir a plenilúnia, a Lua começa a minguar”. Por outro lado, a Lua minguante inevitavelmente voltará a crescer. Assim, ela oscila eternamente entre plenilúnia e novilúnio, jamais permanecendo fixa em um estado.

A natureza e os fenômenos meteorológicos também obedecem essa regra. Laozi afirmou: “Ventos fortes não duram toda a manhã; chuvas torrenciais não caem o dia inteiro”. Já Ralph Waldo Emerson disse: “O fim é também o início; após a noite virá o amanhecer, e sob o oceano há outro abismo”.

O mercado de ações segue essa mesma regra. Howard Marks descreve o investimento como um pêndulo: ele nunca pode oscilar indefinidamente em direção a um extremo nem permanecer estacionário nesse ponto. “Uma coisa da qual podemos ter certeza é que comportamentos extremos do mercado se reverterão… Tudo está interligado. Nenhum evento é isolado ou aleatório. Pelo contrário, todos fazem parte de certos padrões cíclicos — padrões que podemos compreender e explorar para obter lucros.”

George Soros afirmou: “Tudo tem seu auge, seguido inevitavelmente por seu declínio — após o máximo vem o mínimo”. Já John Templeton disse: “As tendências de mercado nascem na desesperança, crescem na dúvida, amadurecem na expectativa e se extinguem na esperança.”

Na verdade, a dialética já oferece orientações práticas para a ação. Fan Li, figura lendária da China antiga — considerado um dos maiores vencedores da vida e até mesmo o “deus da riqueza” — afirmava: “Em tempos de seca, prepare barcos; em tempos de enchente, prepare carros.”

Howard Marks diz que o mais importante no investimento é cultivar uma “consciência de pêndulo”.

Charlie Munger diz: “Pense ao contrário — sempre pense ao contrário.”

Warren Buffett diz: “Sinto medo quando os outros estão gananciosos; sou ganancioso quando os outros têm medo.”

Na verdade, por trás da dialética ainda há ciência. Voltando à palavra-chave “medo”: embora o mecanismo evolutivo tenha dotado o ser humano dessa emoção, nosso corpo e nosso sistema nervoso têm limites fisiológicos. Por mais ágil que seja a reação da amígdala, por mais poderoso que seja o medo, existe um limite fisiológico que ele não pode ultrapassar. Quando esse limite é atingido, a força do medo começa a dissipar-se.

O mercado de ações é composto por pessoas — e cada indivíduo é parte integrante desse mercado. Seus medos ou otimismos, somados, traduzem-se nas altas e baixas do mercado. Assim, a longo prazo, o mercado de ações funciona como uma “balança”, refletindo o crescimento econômico e sua qualidade; a curto prazo, porém, age como uma “urna de votos”, expressando as expectativas coletivas. Quando o mercado percebe que o medo já foi levado ao extremo — e os fundamentos reais não pioraram de forma substancial —, o amanhecer de novas oportunidades estará prestes a surgir.

Há diversos exemplos disso. A crise atual de COVID-19 é comparável à crise de SARS de 2003. Quando o mercado percebeu sinais de contenção do vírus SARS, o índice Hang Seng — que havia atingido seu piso de 8.331 pontos em abril de 2003 — recuperou-se rapidamente, alcançando seu pico de 14.058 pontos em março de 2004, uma alta de quase 50%.

Olhando mais para trás, durante a Crise dos Mísseis de Cuba em 1962, o índice S&P 500 dos EUA sofreu uma forte queda. A crise encerrou-se oficialmente em novembro daquele ano, com a retirada soviética de mísseis e aeronaves de Cuba. No entanto, o índice S&P 500 começou sua recuperação já em outubro — justamente no mês de maior tensão, quando a guerra parecia iminente — subindo de 53 pontos em 23 de outubro de 1962 para um pico de 94 pontos no início de 1966, uma alta de 77%.

Vê-se, portanto, que o pânico também é especialista em “mudar de cara”.

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Durante o feriado do Ano Novo Chinês, confinado em casa, li a obra-prima de Jared Diamond, Armas, Germes e Aço — Os Destinos das Sociedades Humanas, e percebi como os germes reescreveram profundamente a história.

Em 1519, Hernán Cortés liderou apenas 600 homens na conquista do império asteca — uma civilização guerreira com milhões de habitantes. A vantagem decisiva dos espanhóis foi a varíola. Em 1520, a varíola chegou ao México através de um escravo infectado vindo de Cuba, colônia espanhola. A epidemia subsequente matou cerca de metade da população asteca, incluindo o imperador Cuitláhuac.

De fato, a redução drástica da população indígena das Américas deveu-se principalmente aos germes. Nos primeiros um ou dois séculos após a chegada de Cristóvão Colombo ao Novo Mundo, a população indígena diminuiu 95%, sendo os principais agentes mortais a varíola, o sarampo, a gripe, o tifo, a difteria, a malária, a caxumba, a coqueluche, a tuberculose e a febre amarela.

Quando falamos na peste bubônica da Europa medieval, o arrepio é inevitável. Entre 1347 e 1353, a pandemia conhecida como “Peste Negra”, que assolou toda a Europa, ceifou 25 milhões de vidas — um terço da população europeia da época. Para comparação, a Segunda Guerra Mundial — considerada uma catástrofe humana sem precedentes — resultou em uma perda populacional equivalente a apenas 5%!

Vê-se, portanto, que a história humana também é uma história de combate contra os germes. A transição da vida nômade para a agricultura — seguida pela urbanização e, posteriormente, pela globalização — permitiu que os seres humanos se agrupassem em grandes concentrações, facilitando o comércio e as trocas interpessoais, mas também proporcionando às doenças meios letais de propagação em larga escala.

Após ler essa história, não podemos deixar de refletir: a vida de um indivíduo — ou mesmo toda a história da humanidade — não é, afinal, uma espécie de investimento? Um esforço contínuo para buscar, em meio à incerteza, um espaço de sobrevivência o mais seguro possível.

Hoje, a humanidade já eliminou a maioria dos germes letais responsáveis por mortes em massa — motivo de profunda admiração pela coragem humana de ir contra a corrente. Essa coragem manifesta-se agora na batalha contra a pandemia de “novo coronavírus” em Wuhan, nas ações de cada médico e enfermeiro, de cada voluntário, bem como de cada indivíduo que mantém sua atividade produtiva em todos os setores da economia.

Portanto, “saber ser fácil, mas agir ser difícil” exige não apenas o verdadeiro conhecimento, mas também coragem para agir. Diante de uma crise, devemos manter nosso instinto de medo e adotar práticas científicas de higiene — mas não precisamos entrar em pânico nem perder a calma.

Voltando ao investimento: se o medo nos fizer abandonar nossa coragem, poderemos perder a melhor oportunidade. Peter Lynch afirmou: “Nas 40 maiores quedas do mercado de ações ocorridas nos últimos 70 anos, mesmo que eu tivesse previsto com antecedência 39 delas e vendido todas as minhas ações antes de cada uma, ainda assim me arrependeria profundamente — pois, mesmo na pior dessas quedas, os preços das ações acabaram se recuperando… e atingiram patamares ainda mais altos.”