Você já sabe o que é Bitcoin e tem vontade de investir, mas não tem certeza de como começar.
Este artigo vai apresentar o método mais simples possível — uma estratégia que, com base em dados históricos, se mostrou eficaz e é extremamente fácil de seguir. É ideal para quem não tem muito tempo ou disposição para ficar monitorando o preço do Bitcoin o tempo todo. Em essência, é um investimento de longo prazo, não uma operação ativa de compra e venda. É uma abordagem que troca paciência por retorno.
O mais interessante é que essa estratégia simples não serve apenas para iniciantes. Dentro da própria comunidade Bitcoin, ela é muito popular entre veteranos e entusiastas hardcore. Ou seja, existe um grupo de pessoas extremamente dedicadas — carinhosamente chamadas de “HODLers” ou “Bitcoin maximalists” — que, mesmo depois de seis ou sete anos no mercado e com um conhecimento profundo sobre o assunto, acabam adotando essa abordagem mais direta.
Esse método se chama “HODL”. A ideia é simples: comprar Bitcoin e guardar por um bom tempo, vendendo apenas quando o preço atingir um patamar muito alto.
No cenário de língua portuguesa, quem segue essa estratégia costuma ser chamado de “holder” ou “acumulador”. Esses investidores agem como esquilos se preparando para o inverno: compram Bitcoin e guardam, com a firme decisão de não vender por um longo período.
Por que o “HODL” é a forma mais simples de investir
No fundo, todos os “acumuladores” seguem essa lógica por um motivo em comum: acreditam no valor de longo prazo do Bitcoin. Esse “valor de longo prazo” pode ser interpretado de várias formas, mas, para a maioria das pessoas, se resume a uma crença: a de que o preço do Bitcoin vai continuar subindo fortemente nos próximos anos.
De US$ 100 em 2013 para cerca de US$ 10.000 hoje (em 2020), o Bitcoin valorizou 100 vezes em sete anos. Quem guarda Bitcoin acredita que, na próxima década, o preço continuará em alta (as razões para isso são várias, desde a narrativa do “ouro digital” até a da “moeda da internet” — falaremos mais sobre isso adiante). Por isso, acumular Bitcoin e vender só depois de muito tempo é visto como uma jogada lucrativa. Além do mais, esse método dispensa a necessidade de ficar de olho nas oscilações de curto prazo — uma grande vantagem em um mercado tão volátil quanto o do Bitcoin, tornando o investimento mais tranquilo e menos demandante de tempo e atenção.
Em resumo, essa é a ideia central da estratégia — e ela é extremamente simples. No entanto, para ser franco, até agora isso ainda dá pouca orientação prática para quem quer realmente investir. Perguntas como “quando começar?” e “quanto tempo é ‘um bom tempo’?” ficam sem resposta na maioria das vezes — justamente os detalhes que um investidor comum precisa saber para colocar a estratégia em prática.
Por quanto tempo exatamente devemos fazer HODL?
Para avaliar com precisão a eficácia real da estratégia “HODL”, o Orange Book fez simulações com base em dados históricos. Usamos a API de dados da Bitfinex (uma corretora consolidada) para extrair os preços históricos do Bitcoin entre 1º de abril de 2013 e 26 de janeiro de 2020 (cada ponto de dados representa o preço de fechamento horário), simulando o retorno obtido ao comprar e guardar o ativo por quatro anos, vendendo logo em seguida.
Ou seja, buscamos responder à seguinte pergunta: se alguém tivesse comprado Bitcoin em qualquer hora entre 1º de abril de 2013 e 26 de janeiro de 2016, e o vendesse exatamente quatro anos depois, essa estratégia teria dado lucro em todos os casos? (Como este artigo foi escrito em 2020, compras feitas após o início de 2016 ainda não poderiam ser verificadas, pois os quatro anos não teriam se completado.)
Venda após 4 anos


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Acima estão os resultados de lucro obtidos ao comprar Bitcoin em qualquer hora e vendê-lo exatamente quatro anos depois (35.064 horas), ordenados pela taxa de retorno, da maior para a menor. A taxa de retorno é calculada como: (preço de venda – preço de compra) / preço de compra × 100%.
Podemos observar:
Retorno histórico máximo: 5.583,53%. Compra feita às 3h da madrugada de 27 de junho de 2015, a US$ 241,54; venda quatro anos depois, a US$ 13.728.
Retorno histórico mínimo: 366%. Compra feita às 20h de 10 de abril de 2013, a US$ 262,10; venda quatro anos depois, a US$ 1.222,80.
E se a gente guardar por menos de quatro anos? Vejamos o desempenho para outros períodos:
2 anos (17.531 horas) — Máximo: 4.244,85%; Mínimo: -68,38% (prejuízo)
3,5 anos (26.297 horas) — Máximo: 7.558,6%; Mínimo: -36,99% (prejuízo)
5 anos (43.829 horas) — Máximo: 14.405,63%; Mínimo: 241,84%
6 anos (52.594 horas) — Máximo: 18.035,48%; Mínimo: 533,59%
Conclusão: guardar por menos de quatro anos pode resultar em prejuízo; já guardar por quatro anos ou mais garantiu lucro em todos os cenários analisados.

Por que exatamente quatro anos?
Comprar em qualquer momento e guardar por quatro anos deu lucro em todos os casos — até o retorno mínimo de 366% é bastante expressivo. Curiosamente, quatro anos também corresponde exatamente ao ciclo completo do Bitcoin. Assim, a estratégia de guardar por quatro anos implica confiar que, após um ciclo completo, o preço do Bitcoin vai bater novos recordes, superando os patamares anteriores — ou seja, qualquer preço de entrada será sempre inferior ao preço alcançado no ciclo seguinte.
Acreditar no ciclo do Bitcoin é, no fundo, acreditar na sua história de “halving” (redução pela metade). No projeto original de Satoshi Nakamoto, a oferta total de Bitcoin é fixada em 21 milhões de unidades, com um limite máximo rígido (“hard cap”) que leva muitos a vê-lo como um ativo de preservação de valor, um “ouro digital”, gerando também expectativa de valorização. Esses 21 milhões de Bitcoins são emitidos progressivamente pela mineração, e a cada quatro anos a recompensa por bloco minerado cai pela metade: no começo, os mineradores recebiam 50 BTC por bloco; quatro anos depois, essa recompensa caiu para 25 BTC, e assim por diante.
Por causa do mecanismo de halving, muitos acreditam que, após cada evento, o preço do Bitcoin vai atingir novos recordes. A lógica é que, com a recompensa menor, os mineradores precisariam de um preço unitário mais alto para cobrir seus custos (como o de energia elétrica). Até hoje, já aconteceram dois halvings, e o próximo está previsto para maio deste ano. No entanto, é importante destacar que, na prática, não há uma correlação clara ou consistente entre as datas dos halvings e o início dos mercados de alta (“bull markets”).
Riscos ao investir em Bitcoin
Comparado a trades de curto prazo, estratégias quantitativas e contratos futuros, a estratégia de "HODL" (manter Bitcoin por muito tempo) é uma forma relativamente menos arriscada de investir em BTC. No entanto, ainda envolve riscos — como a possibilidade de o halving do Bitcoin não surtir mais efeito após quatro anos, o ciclo histórico se romper ou o preço não atingir novos máximos.
Embora os dados históricos mostrem que comprar Bitcoin em qualquer momento do passado e segurá-lo por quatro anos sempre gerou lucro, muita gente ainda questiona se essa estratégia continuará funcionando no futuro. Em outras palavras, o maior risco do HODL está na incerteza sobre a continuidade do efeito do halving. Dentro da comunidade, apenas um grupo — composto por quem já viveu com sucesso os dois primeiros halvings — acredita firmemente nisso; para a maioria, ainda é uma grande interrogação.

A volatilidade do preço do Bitcoin é extremamente alta
O Bitcoin continua sendo um ativo de alto risco. Sua volatilidade é enorme e sua estabilidade, muito baixa. Por isso, muitos HODLers alertam: se você pretende investir em Bitcoin, precisa estar preparado para perder todo o capital aplicado. Só vale a pena entrar no mercado se você encarar esse dinheiro como se já tivesse ido embora.
Contudo, a armadilha mais perigosa do HODL está justamente aí: para a maioria das pessoas, é raro ter uma quantia suficientemente grande (valores pequenos geram retornos insignificantes) e, ao mesmo tempo, totalmente dispensável — ou seja, que sua falta não cause nenhuma preocupação.
Ao escolher a estratégia mais simples — "comprar e esquecer" — você precisa travar seu capital incondicionalmente por quatro anos ou mais. Durante esse período, por mais urgente que seja sua necessidade de dinheiro, não poderá mexer nesse valor. Além disso, o ciclo para saber se o investimento deu lucro é extremamente longo. Para o investidor comum, o HODL consome muito a liquidez do capital e tem um alto custo de oportunidade — fatores que pesam bastante no psicológico.
É por isso que, embora pareça simples, a estratégia de HODL é, na prática, extremamente difícil de executar.
Por que é tão difícil, na prática, "comprar e esquecer"?
Historicamente, são pouquíssimas as pessoas que realmente conseguiram comprar Bitcoin e segurá-lo por mais de quatro anos. No fundo, manter Bitcoin a longo prazo é tão contra-intuitivo quanto operar no curto prazo. Para segurar Bitcoin por um período prolongado, geralmente é preciso superar vários desafios:
Quando o preço cai muito: devido à extrema volatilidade do Bitcoin, quedas de 50% ou até 80%–90% são comuns. Essa montanha-russa é difícil de aguentar para a maioria — e muitos acabam vendendo no fundo do poço, simplesmente sem conseguir suportar a pressão.
Quando o preço sobe muito: enquanto prejuízos podem paralisar, a razão mais comum para as pessoas não conseguirem segurar o Bitcoin é vender cedo demais após lucros de duas ou três vezes — perdendo a chance de ganhos muito maiores.
Quando acontecem eventos ou notícias relevantes: às vezes, notícias de grande impacto causam pânico e levam à venda imediata do Bitcoin. Por exemplo, o evento de setembro de 2017, conhecido como "9/4". Outro exemplo hipotético: imagine que, no futuro, Craig Steven Wright (CSW) apresente a chave privada original ("genesis private key") provando ser Satoshi Nakamoto — nesse caso, você venderia ou continuaria segurando? (Sinceramente, nem eu saberia responder — uma notícia dessas seria realmente arrasadora…)
Quando você acha que é mais esperto que o mercado: às vezes, você pensa que consegue identificar os pontos de mínimo e máximo do mercado — e tenta comprar na baixa e vender na alta. Esse cenário é relativamente raro, pois muitos investidores logo descobrem, após algumas tentativas, que o mercado os corrige com implacável dureza.
Em resumo, a dificuldade do HODL está exatamente em "não fazer nada".
Devo fazer HODL de Bitcoin?
Este artigo serve como uma referência para investidores iniciantes interessados em Bitcoin, mas não é uma recomendação universal para adotar a estratégia de HODL. Optar por segurar Bitcoin a longo prazo pressupõe, antes de tudo, acreditar no valor intrínseco e duradouro do ativo — uma decisão que ninguém pode tomar por você; depende exclusivamente da sua própria reflexão.
Muitos HODLers que conhecemos não medem sua estratégia pelo tempo, mas por uma crença simples: eles só venderão seus Bitcoins se o preço ultrapassar US$ 100.000. Se você perguntar por que exatamente US$ 100.000 — e não US$ 120.000 —, muitos nem saberão explicar.
Mas, se você quer entender melhor a eficácia da estratégia de HODL, o que mais pode fazer?
Embora os dados históricos mostrem que, até agora, segurar Bitcoin por quatro anos sempre deu lucro, o que realmente queremos saber é: como podemos testar o mais cedo possível, no futuro, se essa estratégia ainda vai valer?
Tomando como exemplo o HODL por quatro anos com venda posterior:
Os dados da tabela acima só verificaram a rentabilidade de compras feitas entre 2013 e 2016. Você pode testar o desempenho dessa estratégia em períodos futuros para avaliar se ela continua viável. Por exemplo: em dezembro de 2017, o Bitcoin atingiu seu recorde histórico de US$ 20.000. Se adotarmos um retorno mínimo de duas vezes o valor investido como critério, a estratégia falharia caso o preço não atingisse US$ 60.000 em dezembro de 2021.
Vamos analisar alguns exemplos mais recentes:
Em junho de 2016, o preço era cerca de US$ 600; se em junho de 2020 ele ficasse abaixo de US$ 1.800, a estratégia falharia.
Em dezembro de 2016, o preço era cerca de US$ 800; se em dezembro de 2020 ele ficasse abaixo de US$ 2.400, a estratégia falharia.
Em março de 2017, o preço era cerca de US$ 1.000; se em março de 2021 ele ficasse abaixo de US$ 3.000, a estratégia falharia.
Em junho de 2017, o preço era cerca de US$ 2.500; se em junho de 2021 ele ficasse abaixo de US$ 7.500, a estratégia falharia.
Em setembro de 2017, o preço era cerca de US$ 3.800; se em setembro de 2021 ele ficasse abaixo de US$ 11.400, a estratégia falharia.
Em dezembro de 2017, o preço era cerca de US$ 15.000; se em dezembro de 2021 ele ficasse abaixo de US$ 45.000, a estratégia falharia.
Parece que, até junho de 2021, todos esses cenários eram relativamente fáceis de alcançar.
O preço realmente vai continuar subindo?
Na prática, para o investidor comum, a decisão final sobre investir em Bitcoin geralmente se resume a uma pergunta simples: "O Bitcoin já subiu tanto — será que ainda tem espaço para crescer assim no futuro?"
Não podemos dar uma resposta definitiva, mas podemos compartilhar dois pontos de vista comuns no mercado como referência:
1. Não vai subir mais
As altas expressivas do Bitcoin no passado aconteceram porque o ativo ainda estava em estágio muito inicial — o mercado daquela época não se compara com o de hoje. Atualmente, o ecossistema do Bitcoin é muito maior, com produtos financeiros derivativos e ferramentas de hedge muito mais maduras; portanto, os dados históricos antigos têm relevância limitada.
2. Vai continuar subindo
Quem viveu no passado também pensava assim: ao ver o Bitcoin superar um pico anterior, acreditava que ele não subiria mais — e então o Bitcoin provou, com uma valorização ainda maior, que o que parecia um pico era, na verdade, apenas uma colina.
Posso aplicar a estratégia de acumulação (HODL) a outras criptomoedas?
Hmm… boa sorte!
