Autor: Monte Carlo
No dia 20 de abril, a Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento (NDRC) definiu pela primeira vez o escopo das chamadas "novas infraestruturas", incluindo explicitamente a blockchain nessa categoria — um fato que surpreendeu muitos profissionais do setor.
A política oficial divulgada pelo governo nacional estabelece o seguinte:
As novas infraestruturas abrangem principalmente três áreas: (1) infraestruturas de informação — como redes de comunicação representadas por 5G, Internet das Coisas (IoT), Internet Industrial e Internet por Satélite; infraestruturas tecnológicas emergentes, representadas por inteligência artificial, computação em nuvem e blockchain; e infraestruturas de poder computacional, como centros de dados e centros de computação inteligente; (2) infraestruturas integradas; e (3) infraestruturas inovadoras.
Atualmente, o setor de blockchain enfrenta diversos desafios na prática. Profissionais têm feito esforços consideráveis em áreas como DApps, mas com resultados limitados, gerando dúvidas na sociedade sobre questões como "o que é blockchain?", "a tecnologia pode realmente ser implementada?" e "ela tem alguma utilidade?".
Na verdade, compreender a blockchain a partir de sua classificação como "nova infraestrutura" é uma abordagem muito útil para responder perguntas como "por que é tão difícil implementá-la a curto prazo?" e "qual é, afinal, a sua utilidade real?".
1. A blockchain é uma infraestrutura pública.
Tradicionalmente, infraestruturas são ferrovias, rodovias, aeroportos, entre outros. As "novas infraestruturas" têm muito em comum com as tradicionais. Tomando a rodovia como exemplo — um caso clássico de infraestrutura — existe um ditado popular: "Para enriquecer, primeiro construa estradas". Esse ditado ilustra perfeitamente a importância fundamental das vias de acesso. Uma vez pronta, a estrada conecta a aldeia ao mundo exterior, ampliando seus horizontes. Por isso, a construção de estradas é o pré-requisito básico para o desenvolvimento rural — sem dúvida, a infraestrutura mais essencial.
Da mesma forma, a blockchain também é uma infraestrutura de base, assim como a internet: trata-se de uma tecnologia subjacente sobre a qual se desenvolverão diversos ecossistemas, trazendo grandes benefícios. Sua característica central é a verificabilidade global dos dados — como é voltada para toda a rede, registrar informações na blockchain equivale, metaforicamente, a abrir a porta que liga a aldeia ao mundo.
Atualmente, o governo chinês incluiu formalmente a blockchain entre as "novas infraestruturas". Essa classificação é muito precisa, pois a tecnologia tem, de fato, a mesma importância estratégica que ferrovias, rodovias ou aeroportos. Além disso, a construção de qualquer infraestrutura é intrinsecamente complexa, demanda muito tempo e gera efeitos econômicos pouco visíveis no curto prazo — podendo inclusive operar no vermelho por anos. Isso explica perfeitamente por que a implementação prática da blockchain ainda demora tanto.
2. Essa infraestrutura é acessível a todos, com custos baixos — ou até gratuita.
As rodovias comuns estão ali, disponíveis para uso público — exceto as autoestradas, a maioria é gratuita e aberta a qualquer cidadão.
A blockchain também tem essa natureza aberta: as blockchains públicas (public chains) são acessíveis a toda a rede, permitindo que qualquer pessoa as use livremente, sem verificação de identidade ou restrições — garantindo oportunidades iguais para todos.
Uma rodovia é um bem social: na maioria dos casos, seu planejamento, construção e manutenção são financiados e executados pelo Estado, tornando-a gratuita para os cidadãos. Embora os impostos cubram indiretamente esses custos, pelo menos não são as populações de regiões mais pobres que arcam diretamente com eles.
A blockchain é um pouco diferente das rodovias nesse aspecto: a maioria não é construída pelo Estado, mas surge de comunidades descentralizadas. No entanto, assim como as rodovias, ela também não impõe barreiras de entrada aos usuários. Algumas blockchains públicas que usam o mecanismo de Prova de Trabalho (Proof of Work) exigem taxas mínimas de transação, mas esses valores são tão baixos que podem ser considerados insignificantes.
3. A construção de infraestruturas é extremamente difícil e exige muito "trabalho".
Construir uma rodovia é uma tarefa árdua, que exige muita mão de obra, recursos materiais e, sobretudo, muito "trabalho" — especialmente em épocas de pouca mecanização. É por isso que, mesmo hoje, muitas aldeias ainda não têm uma única rodovia. Por outro lado, uma vez pronta, uma rodovia é um investimento de longo prazo, feito para servir gerações futuras.
O mesmo vale para a blockchain — especialmente para as blockchains públicas que usam Prova de Trabalho. Desenvolver essas redes é extremamente desafiador, pois depende de uma enorme capacidade computacional para garantir segurança, de um ecossistema amplo e diversificado para sustentar seu sistema econômico, além de um equilíbrio delicado entre múltiplos atores. No entanto, uma vez estabelecida, uma blockchain pública funciona continuamente, sem interrupções, podendo ser usada por décadas.
4. A manutenção das infraestruturas também é extremamente complexa.
Após ficar pronta, uma rodovia geralmente atende às necessidades locais por vários anos — talvez uma década ou mais. Só depois desse período, quando a aldeia passar por transformações significativas — como aumento da renda e da posse de carros — é que a via pode ficar congestionada, exigindo ampliação ou reforma. Mas isso só deve acontecer muitos anos depois.
Além disso, reformar uma rodovia é um processo muito complexo: exige interdição parcial ou total, trabalho coordenado em etapas e grande mobilização de recursos — cujo esforço pode ser quase equivalente ao da construção original.
Da mesma forma, a blockchain é um protocolo fundamental para interação de dados. Os protocolos definem apenas as operações básicas e, uma vez estabelecidos, raramente são modificados — podem levar décadas até que uma atualização seja considerada, como ocorreu com a transição do IPv4 para o IPv6.
Modificar regras fundamentais em uma blockchain descentralizada também é extremamente difícil: é preciso considerar cuidadosamente o impacto sobre toda a comunidade, onde cada participante tem interesses diferentes — o que pode gerar debates intensos e prolongados, sem garantia de consenso. Em alguns casos, alterar as regras de uma blockchain pode ser mais difícil do que criar uma nova do zero.
5. As infraestruturas trazem melhorias concretas e evidentes para o dia a dia.
Antes das rodovias, havia apenas trilhas lamacentas por perto. Hoje, com uma rodovia, você ainda pode optar por usar essas trilhas — mas, sempre que possível ou quando a distância for maior, certamente vai escolher a rodovia. Assim, mesmo em dias chuvosos, não precisa se preocupar em sujar a roupa de lama ou atolar o carro.
Da mesma forma, antes da blockchain, muitos processos já haviam migrado para a internet — e, embora funcionassem razoavelmente bem, já estávamos acostumados com eles. Com a chegada da blockchain, porém, diversos fatores produtivos passam a ser registrados na cadeia: onde antes era necessário um processo formal de titularidade, agora basta registrar na blockchain para obter validação legal; onde antes era preciso fazer filas presenciais, agora tudo pode ser resolvido online; e onde antes eram necessários processos burocráticos entre departamentos, agora basta a troca de dados e interoperabilidade entre chains. Basicamente, a maior parte dos serviços pode ser executada inteiramente na blockchain — eliminando a necessidade de deslocamentos físicos ou situações incômodas.
6. O significado mais importante das infraestruturas está em abrir portas para a conexão com o mundo.
Quando uma aldeia ganha acesso a uma rodovia, isso por si só já traz muitos benefícios. No entanto, o valor mais profundo da rodovia está no fato de que ela se integra à rede rodoviária nacional — conectando a aldeia ao resto do mundo. Portanto, o que realmente importa não é apenas a rodovia local, mas toda a rede à qual ela está ligada.
Da mesma forma, embora as blockchains públicas tenham valor intrínseco — e ofereçam diversos serviços aos ecossistemas que nelas se desenvolvem — seu significado mais relevante está no fato de que, ao registrar dados na blockchain, você passa a interagir com dados de outras chains, usar funcionalidades de outras redes e ingressar em outros ecossistemas. Em linguagem técnica, "a importância da interoperabilidade entre chains pode ser comparável à própria existência das blockchains públicas".
7. Hierarquia entre infraestruturas principais e secundárias.
Em cidades pequenas, normalmente há apenas uma via principal. A menos que haja uma necessidade urgente, ninguém constrói várias rodovias indiscriminadamente. Mesmo em cidades mais desenvolvidas, onde há múltiplas rodovias, sempre há uma distinção clara entre vias principais e secundárias — com apenas uma verdadeira via principal, que concentra o maior volume de tráfego.
O mesmo ocorre com a blockchain: em um mesmo domínio, setor ou função, normalmente apenas uma blockchain pública baseada em Prova de Trabalho conseguirá prosperar de fato. Isso porque esse tipo de rede exige consumo massivo de energia e o apoio de um ecossistema extenso e robusto — além de apresentar um forte efeito de rede, resultando em um cenário de "o forte fica mais forte e o fraco, mais fraco". Assim, mesmo que várias blockchains públicas compitam no mesmo segmento, quase sempre uma delas dominará claramente em termos de tráfego e adoção.
8. Atualizações nas infraestruturas geralmente exigem também atualizações correspondentes nos "meios de transporte".
É claro que uma bicicleta comum também pode trafegar numa rodovia — e sua velocidade será bem maior do que numa estrada de terra. No entanto, a rodovia foi feita para carros, que são os veículos que mais ganham desempenho nesse tipo de via. Portanto, se depois de construída a rodovia, você só usar ela para bicicletas ou até para pedestres, não estará aproveitando todo o seu potencial.
O mesmo raciocínio vale para as blockchains: embora informações comuns também possam ser armazenadas nelas — aproveitando características como transparência pública, imutabilidade e verificabilidade em toda a rede —, usar uma blockchain tem seu custo. Elas são mais adequadas para dados valiosos, especialmente aqueles que representam ativos de alto valor, informações que exigem um alto grau de confiança ou que precisam interagir com o mundo externo. Em resumo, o que melhor se encaixa nas blockchains públicas são os "carros", não as "bicicletas".
O conceito e o significado social da nova infraestrutura vão muito além disso, mas entender as blockchains sob a ótica da infraestrutura é, sem dúvida, um caminho eficaz.
