Autor original: Mary Liu
Fonte original: BitpushNews
A maior exchange de criptomoedas dos EUA, a Coinbase (COIN), anunciou o lançamento da Base — uma rede Layer 2 construída com a OP Stack da Optimism.
A Base será incubada internamente pela Coinbase, mas tem como objetivo tornar-se totalmente descentralizada no futuro. Ela se juntará à OP Stack como o segundo contribuidor principal, sendo a OP Stack o kit de ferramentas para desenvolvedores da rede Optimism. No entanto, a Base não se limitará ao Ethereum; ela também oferecerá acesso fácil e seguro a redes Layer 2 (como a Optimism) e a outros ecossistemas de blockchain (como Solana, Avalanche e Polygon), com o objetivo final de levar 1 bilhão de pessoas ao mundo das criptomoedas por meio da “compra, construção ou investimento” em projetos dentro de um “sistema financeiro aberto”.
Tentativa de Estratégia de Diversificação da Coinbase

O novo anúncio foi feito em um momento crítico, quando a Coinbase enfrenta uma estagnação no crescimento, conforme revelado em seu mais recente relatório trimestral, que mostra uma redução gradual na receita proveniente de volumes de negociação — sua principal fonte de renda — durante o atual inverno cripto. Ao mesmo tempo, outras linhas de negócios com potencial lucrativo começam a crescer, como staking e outros serviços. A Base é um protocolo que a Coinbase pretende “descentralizar” ao longo do tempo e que pode se tornar uma fonte significativa de receita para a empresa, que há muito busca diversificar seu balanço patrimonial.
Segundo o TechCrunch, inicialmente a Base cobrará taxas de 10 a 50 centavos de dólar — um valor comparável ao das principais soluções Layer 2 da Ethereum, como Arbitrum e Optimism. Embora ainda esteja apenas em fase de testnet, a Base parece não ter escassez de usuários iniciais: projetos consolidados, incluindo Chainlink, Etherscan, Aave, Animoca Brands, Dune, Nansen, Magic Eden e Wormhole, já declararam publicamente seu apoio. Um ponto crucial é que a Coinbase afirmou explicitamente que não tem planos de lançar um novo token de rede, evitando assim estratégias de geração de tráfego por meio de airdrops — demonstrando claramente seu compromisso genuíno com a construção (“build”).
Para estimular o desenvolvimento, a Coinbase e seu braço de venture capital, a Coinbase Ventures, lançarão um programa de subsídios destinado a engenheiros de software que construírem sobre a Base, embora o valor exato desses subsídios não tenha sido divulgado.
Concorrência enfrentada
A Coinbase há muito adota uma estratégia voltada para contribuir com tecnologia e orientação ao ecossistema cripto, incluindo a alocação de 10% de seu caixa para investimentos em venture capital. Contudo, nem todas as suas iniciativas avançam sem obstáculos. Por exemplo, sua plataforma de mercado de tokens não fungíveis (NFT) tem enfrentado dificuldades para conquistar participação de mercado desde seu lançamento no ano passado, apesar de contar com a marca forte da Coinbase.
O lançamento da Base também ocorre em um momento de crescente intensidade e complexidade na concorrência pelo mercado de escalabilidade da Ethereum. No início desta semana, dados da L2BEAT indicaram que o Arbitrum One processou mais transações do que a própria Ethereum, tornando-se o primeiro Rollup a superar, em volume diário de transações, a rede principal da Ethereum. Sua empresa-mãe, Offchain Labs, foi avaliada em US$ 1,2 bilhão na rodada Série B de agosto de 2021. Já o Optimism, segundo maior Rollup e principal concorrente do Arbitrum, foi avaliado em mais de US$ 1,6 bilhão na rodada Série B de março do ano passado.
Enquanto isso, diversos projetos concorrentes estão desenvolvendo “zero-knowledge Rollups” compatíveis com a Ethereum — conhecidos como zkEVMs — capazes de transformar o cenário das soluções Layer 2, como Scroll, Polygon, Matter Labs e ConsenSys. Alguns especialistas do setor consideram que os Rollups baseados em tecnologia criptográfica ZK representam a abordagem mais promissora para a escalabilidade da Ethereum, pois têm potencial para melhorar tanto a velocidade quanto a segurança das atuais blockchains Layer 2.
A Polygon anunciou que lançará seu zkEVM em 27 de março. Na semana passada, a Matter Labs convidou desenvolvedores a se registrarem para implantar suas aplicações em seu zkEVM zkSync.
Apesar do rápido avanço da tecnologia zk, Jesse Pollak, diretor de protocolos da Coinbase, afirmou, em entrevista à Blockworks, que as diferenças técnicas não definem um produto — o que realmente importa são os detalhes de sua implantação. Um dos principais objetivos do Base é criar uma tecnologia facilmente atualizável, sendo esse um dos principais motivos pelos quais a Coinbase escolheu a Optimism como parceira, especialmente devido à solução modular do OP Stack.
Pollak afirmou: “Acreditamos que, no futuro, poderemos lançar Rollups que combinem tanto componentes zk quanto componentes da Optimism. Atualmente, o mais importante é construir a pilha tecnológica de forma que ela possa ser facilmente atualizada. A realidade é que você precisa construir a infraestrutura necessária para que as blockchains funcionem bem”.
Pollak também mencionou que, desde o ano passado, a Coinbase tem trabalhado ativamente na implementação da proto-dank sharding (EIP 4844), uma atualização do Ethereum que reduzirá as taxas das redes de camada 2 (L2) em até 10–100 vezes em comparação com os níveis atuais. A EIP 4844 está prevista para ser concluída ainda neste verão.
Além disso, cresce a consciência sobre os riscos que entidades centralizadas representam para as finanças descentralizadas (DeFi), o que pode potencialmente dificultar o desenvolvimento do Base. Não está claro há quanto tempo o Base está em planejamento ou desenvolvimento (a Coinbase foi a primeira exchange centralizada a lançar uma rede de camada 2). Nos últimos meses, a Coinbase saiu de mercados como a Índia e demitiu centenas de funcionários — portanto, permanece incerto se a empresa dispõe de recursos ou pessoal técnico suficiente para sustentar o projeto.
A visão final da Coinbase é tornar-se um “contribuidor” da rede e transferir as decisões de governança para a comunidade. Contudo, ainda resta muito tempo para testar e validar cada detalhe dessa transição.
