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Ex-presidente do Banco da China, Li Lihui: Moedas virtuais representadas pelo BTC estão fadadas a não se tornarem ferramentas de pagamento em massa

BroadChainBroadChain18/01/2020, 11:50
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Resumo

Li Lihui, ex-presidente do Banco da China, afirmou que moedas virtuais representadas pelo BTC não poderão se tornar ferramentas de pagamento em massa devido à baixa eficiência nas transações e ao excesso de especulação. Ele enfatizou que a tecnologia blockchain ainda está em estágio inicial de aplicação, necessitando ser integrada com inteligência artificial, big data e outras tecnologias, e chamou por uma regulação mais rigorosa para prevenir riscos financeiros, ao mesmo tempo em que cria um ambiente favorável à inovação tecnológica.

Uma nova revolução tecnológica e transformação industrial está em andamento, com a economia digital injetando um novo fôlego no crescimento econômico da China. A recente Conferência Central de Trabalho Econômico deixou claro a necessidade de “impulsionar vigorosamente a economia digital”.

Nesta edição da coluna “Finanças em Linguagem Simples”, do Xinhua Net, conversamos com Li Lihui, presidente do Grupo de Pesquisa em Blockchain da Associação Chinesa de Finanças por Internet e ex-presidente do Banco da China, para analisar as tendências e os pontos-chave do desenvolvimento inovador da economia digital no país.

Pergunta 1: Por que é necessário impulsionar com tanta força a economia digital?

Li Lihui: A ênfase do Comitê Central no desenvolvimento de tecnologias digitais e da economia digital está em sintonia com as tendências globais atuais de inovação e crescimento econômico. As tecnologias digitais representam a convergência de várias inovações — como blockchain, big data, computação em nuvem e inteligência artificial. Na minha visão, a grande vantagem da aplicação dessas tecnologias está em seu potencial para aumentar substancialmente a eficiência econômica.

E por que isso acontece? Porque elas permitem construir uma rede de conexões mais direta e eficiente. Antes, costumava-se dizer que “o mundo é plano”. Nessa visão plana, as conexões entre empresas, entre pessoas e entre pessoas e objetos são bidimensionais. No entanto, essa estrutura gera problemas como excesso de intermediários e baixa eficiência.

Com o uso das tecnologias digitais — especialmente blockchain, computação em nuvem e inteligência artificial — acredito que no futuro será possível estabelecer uma arquitetura tridimensional, flexível e interativa. Nessa nova estrutura, as relações ponto a ponto ou de ponta a ponta se tornarão mais diretas, sem depender de múltiplos nós centrais, o que elevará ainda mais a eficiência. Além disso, o blockchain tem uma vantagem crucial: permite construir confiança digital por meio de algoritmos matemáticos.

Podemos imaginar que, dentro dessa arquitetura interativa tridimensional, também se estabelecerá uma relação de confiança digital. Com isso, a eficiência operacional da economia como um todo aumentará significativamente, resultando em custos mais baixos, maior produtividade e um desenvolvimento socioeconômico mais acelerado.

Pergunta 2: Em que estágio está a China em termos de pesquisa e aplicação de blockchain no cenário global?

Li Lihui: Após uma década de desenvolvimento, a tecnologia blockchain ainda está em fase inicial de aplicação. Já existem algumas aplicações comerciais em escala, mas seu alcance geral ainda é limitado. Além disso, muitas delas ainda têm caráter experimental.

Portanto, para resumir a situação atual em uma frase: a tecnologia ainda não está totalmente madura, os obstáculos para sua aplicação em larga escala com confiabilidade ainda precisam ser superados, e estamos justamente em um período crucial de oportunidades para inovação tecnológica e industrial no setor.

O blockchain é composto por várias inovações de camada inferior — como redes peer-to-peer (P2P) e alguns algoritmos criptográficos — que, individualmente, já são bastante maduras. No entanto, ao integrar essas tecnologias, surgem novas exigências. Além disso, o blockchain tem componentes específicos — como algoritmos de consenso e contratos inteligentes — que precisam ser aprimorados para atender à demanda por aplicações confiáveis em grande escala, exigindo maior maturidade e inovação contínua.

Ao aplicar a tecnologia blockchain na China — ou outras tecnologias digitais — há uma característica fundamental a considerar: o país é um mercado de dimensões extraordinárias. Nesse contexto, qualquer inovação ou aplicação tecnológica digital precisa suportar altíssimos níveis de concorrência simultânea (high concurrency), uma exigência típica de mercados desse porte. Esse também é o caminho que a tecnologia blockchain precisará seguir para evoluir, se aprimorar e amadurecer no futuro.

Pergunta 3: O senhor concorda com a afirmação de que “a era do blockchain já chegou”?

Li Lihui: Concordo em parte e discordo em parte. Não devemos supervalorizar unilateralmente nenhuma tecnologia digital específica — seja blockchain, big data ou qualquer outra. Na verdade, o futuro será a era das tecnologias digitais e, por consequência, da economia digital.

Essa era já está chegando — e acelerando. Por isso, acredito que nenhuma tecnologia digital pode florescer sozinha; o blockchain precisa estar profundamente integrado e combinado com inteligência artificial, big data e computação em nuvem para alcançar maior eficácia e impacto, atendendo adequadamente às necessidades futuras da sociedade e da economia.

Pergunta 4: Diante do crescente entusiasmo em torno do blockchain, como devemos encarar a especulação com “criptomoedas”?

Li Lihui: Bitcoin é uma coisa, blockchain é outra. Em 2009, o bitcoin foi lançado como uma espécie de moeda virtual em uma plataforma baseada em tecnologia blockchain. Quando falamos de bitcoin, nos referimos a uma moeda virtual. Essas moedas virtuais têm dois defeitos fundamentais: do ponto de vista técnico, elas operam em plataformas de blockchain público e, sob a arquitetura descentralizada desse modelo, moedas como o bitcoin têm eficiência de transação muito baixa e velocidade extremamente lenta, incapazes de atender à demanda por aplicações em larga escala.

Além disso, moedas virtuais como o bitcoin são altamente especulativas, o que as torna inviáveis como instrumentos de pagamento em massa ou para integração na vida pública — muito menos como uma moeda de fato. Devido a esses problemas inerentes — inclusive do bitcoin — surgiram, globalmente e também na China, comportamentos especulativos e de manipulação em torno desses ativos. Nesse sentido, reforçar a regulação é absolutamente necessário. A segurança de qualquer nova tecnologia, durante seu desenvolvimento e aplicação, deve ser monitorada de perto. Além disso, qualquer novo conceito pode ser alvo de especulação, exigindo atenção especial para garantir o desenvolvimento saudável e sustentável dessas tecnologias emergentes.

Na minha opinião, atividades que possam gerar riscos tecnológicos sérios, riscos financeiros ou até mesmo riscos sistêmicos no setor devem ser rigorosamente reguladas. Não podemos permitir, de forma alguma, que um país do tamanho da China enfrente riscos financeiros generalizados ou sistêmicos — este é, de fato, o limite mínimo adotado pela regulação financeira em qualquer país.

Por outro lado, devemos dar atenção especial, proteger e fomentar a experimentação, a inovação e o desenvolvimento de novas tecnologias, criando um ambiente mais favorável para sua aplicação ampla e ajudando em seu crescimento saudável.

Pergunta 5: A Conferência Central de Trabalho Econômico determinou a “aceleração da reforma do sistema financeiro”. Qual papel as tecnologias digitais podem desempenhar nessa área?

Li Lihui: A reforma profunda do sistema financeiro é crucial para o desenvolvimento do setor na China. Nesse contexto, destaco dois pontos particularmente relevantes: primeiro, essa reforma precisa acompanhar a tendência de aplicação das tecnologias digitais no financeiro — ou seja, a inovação em fintech. Tanto a gestão financeira, quanto o sistema regulatório e até a estrutura geral do mercado precisam se adaptar à nova era das tecnologias digitais e da economia digital. Essa é uma tarefa de extrema importância.

Em segundo lugar, o número de participantes e profissionais no mercado financeiro continuará crescendo. Além das grandes instituições financeiras estatais e dos bancos de médio e pequeno porte, haverá um número cada vez maior de instituições menores, bem como empresas de tecnologia que poderão exercer atividades financeiras parciais, quase-financeiras ou até atuar nas chamadas “áreas cinzentas” da regulamentação.

À medida que o número de agentes aumenta, o sistema financeiro exige maior eficiência operacional e coordenação, além de uma regulação mais abrangente e eficaz. A inovação em fintech oferecerá novas possibilidades para a regulação financeira — ou seja, usar tecnologias digitais para elevar a eficiência regulatória, reduzir os custos para o regulador e para o regulado, mantendo os riscos financeiros potenciais em níveis mínimos e garantindo um desenvolvimento mais saudável e fluido do setor.

Só assim o setor financeiro poderá cumprir plenamente seu propósito original: servir melhor à economia real e gerar valor para ela.