Introdução:
Em 2016, a Ethereum passou por um hard fork, que resultou em duas blockchains distintas: a nova rede se tornou o ETH, enquanto a original permanece como o ETC. Atualmente, a comunidade da ETC na Ásia-Pacífico conta com mais de 300 mil seguidores em países como China, Japão, Coreia do Sul e Vietnã. No ecossistema da ETC, duas instituições se destacam: a ETC Labs e a ETC Cooperative.
No dia 25 de outubro, durante a Cerimônia Anual de Premiação da Blockchain 2020 e a segunda edição do prêmio “Estrelas Emergentes” da BroadChain Finance, realizado no Shanghai Tower Hotel, a BroadChain Finance recebeu Ru Chu, Diretor Estratégico Chefe da ETC para a Ásia-Pacífico, para uma palestra intitulada “A ETC e as Histórias de Cada Membro da Comunidade”.

A seguir, a íntegra da palestra de Ru Chu (com pequenas edições da BroadChain Finance):
Muitos consideram a ETC uma blockchain pública consolidada, mas, na minha visão, ainda é um ecossistema jovem. Em essência, a ETC é ouro digital programável. Em sua arquitetura base, a ETC é totalmente compatível e interoperável com a Ethereum. Até o momento, existem mais de 20 mil comunidades de usuários da ETC espalhadas pelo mundo.
Desde que entrei para a equipe da ETC, a pergunta que mais ouço é: qual a diferença entre a ETC e a Ethereum? Por que escolher a ETC em vez da já consolidada Ethereum? Na verdade, a comunidade da ETC sempre atuou sob o princípio de “buscar consenso respeitando as diferenças”.
No que diz respeito ao “consenso”, até junho de 2020 foram realizados três hard forks (Atlantis, em setembro de 2019; Agharta, em janeiro de 2020; e Phoenix, em junho de 2020), garantindo total compatibilidade e interoperabilidade com a Ethereum na camada base. Se um projeto já foi desenvolvido na Ethereum, implantá-lo na ETC tem um custo extremamente baixo — o tempo, o esforço e os custos na camada base são mínimos.
Quanto às “diferenças”, a principal instituição técnica do ecossistema ETC, a ETC Core, já alcançou avanços significativos no desenvolvimento, fortalecendo diretamente a rede. Por exemplo: o Open-RPC — um protocolo universal de desenvolvimento blockchain baseado em JSON RPC; o EVM-LLVM — que permite escrever contratos inteligentes da ETC em várias linguagens de programação; e a Jade Suite — que oferece o IDE mais prático para desenvolvedores blockchain e o navegador de blockchain mais leve.

Na camada tecnológica base, a ETC estabeleceu parcerias com projetos de alto nível, como o oráculo Chainlink e a ChainSafe.

O que mencionei até aqui não é exatamente “a história da ETC”, mas mostra que ela já tem as condições básicas para se tornar uma blockchain pública de destaque. A questão então é: como transformá-la em um projeto amplamente reconhecido e valorizado?
Como todos sabem, a ETC é um projeto originário dos Estados Unidos, onde grandes instituições depositam muita confiança nela. A comunidade da Ásia-Pacífico foi fundada em 2018 e, desde então, reiniciamos várias iniciativas. Nosso próximo passo é reorganizar a comunidade em duas categorias principais: To C (voltada ao consumidor final) e To B (voltada a empresas). A comunidade To C será gerenciada continuamente com novas abordagens — essa é a parte mais importante da história que vamos contar a seguir.

Atualmente, no campo de DeFi, a ETC está conduzindo experimentos em três frentes principais:
1) Plataformas e aplicações. O Metronome permite a interoperabilidade de ativos entre ETH e ETC; o Coingame é uma plataforma de jogos blockchain baseada na ETC; ferramentas e serviços da Ethereum, como MetaMask, Truffle e Raiden, também estão sendo integrados ao ecossistema da ETC.
2) Infraestrutura. O Open-RPC define padrões unificados para serviços blockchain; o Bloq Cloud oferece interfaces de serviço de nós idênticas às da Infura; a suite Jade ajuda desenvolvedores a construir aplicações na ETC de forma simples e eficiente; a Second State colabora com a equipe central no desenvolvimento do EVM-LLVM, permitindo que muitos desenvolvedores criem contratos inteligentes usando linguagens de programação que já dominam.
3) Clientes. Há suporte para Core-Geth e HyperLedger Besu, além de redes de teste como Modor e Kotti, que permitem validar cada atualização.
Além disso, a ETC também prioriza sua expansão para além do universo técnico: até agora, firmou várias parcerias com organizações como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a World Wide Fund for Nature (WWF), buscando promover a blockchain além de seus limites tradicionais.

Assim que a operação da comunidade estiver em uma trajetória consolidada, a ETC lançará uma chamada aberta em toda a região da Ásia-Pacífico para recrutar embaixadores comunitários. Esses embaixadores terão um papel fundamental na construção da região, desfrutando de diversos benefícios — incluindo acesso regular a informações oficiais divulgadas exclusivamente para eles — e assumirão responsabilidades significativas.
Recentemente, o tema dos “ataques de 51%” ganhou grande atenção. Muitos afirmam que esses ataques indicam problemas intrínsecos à própria blockchain. Na minha compreensão, isso não é um problema da blockchain em si, mas sim um problema econômico e de poder computacional — e, principalmente, um problema ligado à comunidade de mineradores. Estamos prestes a construir uma infraestrutura específica voltada para os mineradores.
Nos próximos passos, concentraremos nossos esforços em duas frentes principais: primeiro, implantar mais aplicações na blockchain; segundo, fortalecer a construção da comunidade, especialmente nas regiões de mercado emergente.
